sexta-feira, 28 de março de 2014

Eleições 2014: o fim do 'mito' Cássio?

A pesquisa MAISPB/CONSULT apresentada no dia 27 de março aponta o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) como o grande favorito na corrida eleitoral com 40,8% das intenções de voto contra 23,9% do governador Ricardo Coutinho (PSB), e 12,15% do candidato Veneziano Vital (PMDB). Esse resultado inicial era esperado, já que foi criado todo um processo de expectativa em torno da candidatura de Cássio como o ‘salvador da pátria’ e a ‘maior liderança política’ das oposições do Estado.
Os dados consolidados na pesquisa ajudam a reforçar a disposição legítima de Cássio, como liderança partidária, de disputar o cargo de governador. Como diz o dito popular, Cássio ‘engoliu corda’. Ele avaliou que o momento é propício para uma candidatura de oposição ao governador que está no seu primeiro mandato.
Realmente, o resultado da pesquisa não é surpreendente, já que a leitura política propalada como um ‘mantra’ quase consensual pelos analistas de plantão é de que Cássio é o grande responsável pela eleição de Ricardo. Estranho seria se a pesquisa apontasse o governador em primeiro lugar. Aliás, este último deve estar comemorando os números. Afinal, a sua experiência na eleição passada foi semelhante. Ele largou atrás nas pesquisas e foi aos poucos conquistando a opinião pública.
Entretanto, chama a atenção o patamar muito elevado de popularidade alcançado por Cássio na primeira pesquisa de opinião, apesar de não terem sido divulgados os números referentes à rejeição aos candidatos. Mesmo com um milhão de votos na última eleição, não se pode esquecer que Cássio foi cassado e virou quase uma ‘laranja podre’ na política da Paraíba e que foi resgatado justamente pelo atual governador.
Em 2010, Ricardo Coutinho gozava de um prestígio enorme devido a sua experiência exitosa como prefeito de João Pessoa, enquanto Cássio amargava o fato de ter sido cassado. Ou seja, Ricardo, que teve mais votos do que Cássio na eleição, contribuiu para dar uma segunda vida política ao senador. Se Cássio não estivesse na chapa com Ricardo, onde ele estaria hoje?
Nesse sentido, a próxima eleição será o verdadeiro tira teima, e Ricardo larga de uma posição confortável com uma boa perspectiva de crescimento. Por outro lado, Cássio terá que ampliar a sua vantagem e essa tarefa será mais difícil. É muito provável que o patamar de 40% seja o seu ‘teto’ eleitoral. E Ricardo vai fazer de tudo na campanha para mostrar que esse ‘teto’ é de vidro.
A decisão de Cássio é a oportunidade que Ricardo tem para se tornar, isoladamente, a maior liderança política do Estado. Para isso ele vai precisar reforçar os seus compromissos com os ideais que o levaram a ser governador do Estado e rever o arco de apoios e alianças.
A tendência é que a disputa seja polarizada já no primeiro turno entre Ricardo e Cássio, apesar de Veneziano ser de um partido bem estruturado em todo o Estado. Mas, tanto Cássio como Ricardo representam perspectivas reais de poder.
O que está em jogo são dois candidatos com perfis, histórias, estilos e práticas distintas que serão avaliados pelo eleitorado. De um lado, Ricardo tem uma trajetória ascendente de sucesso materializado com grandes obras e muitas ações para mostrar como resultado de quatro anos de governo. De outro, Cássio, com muitas explicações a dar depois de seis anos como governador sem muitos resultados e finalmente cassado; não se pode negar que as fragilidades da candidatura Cássio são muitas.
Os dois candidatos têm perfil personalista, sendo que Ricardo é pragmático e representa o governo de resultados, enquanto Cássio é emotivo e representa o governo que depois de seis anos não se define. O que ficou foi a imagem do governante que se apresenta como o ‘messias’, ‘pai de todos’, que ‘se preocupa com as pessoas’, com o discurso difuso que alcança o coração do eleitor, sem muitos resultados concretos. Será uma disputa entre o discurso racional / de resultado versus o discurso emocional / messiânico. E quanto a isso, o eleitor na atualidade tende a se vincular ao candidato de resultado.
Para as oposições será uma disputa entre o ‘Ricardo do mal’ e o ‘Cássio do bem’. A tendência é desviar o foco dos resultados alcançados pelo governo Ricardo e concentrar o debate no caráter ‘pouco afável’ da pessoa do governador. Cássio será apresentado como o oposto a Ricardo. Ou seja, um político carismático que trata os seus correligionários com ‘afago’.

Mas, é importante lembrar que Cássio já teve conjunturas políticas mais favoráveis e passou por sérios apuros para se eleger. Ao desafiar Ricardo ele pode ter decretado o fim do ‘mito’ Cássio na política paraibana. Esse é o jogo.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Eleições 2014: a alternância de poder.

Durante a Copa do Mundo de 2014, existe a possibilidade real de que vários grupos da sociedade promovam manifestações contra o governo e os políticos que não são capazes de resolver os problemas que afetam o povo todos os dias. Esse pode ser o momento esperado, como foi na Copa das Confederações, para a população expressar as suas insatisfações de forma mais direta.
Apesar de existir um consenso entre os analistas de plantão de que a reeleição da presidenta Dilma é quase certa, e todas as pesquisas apontam nessa direção, em política não há certeza. Novos fatos podem derrubar essa perspectiva e o PT pode encontrar sérias dificuldades.
Em primeiro lugar, não é fácil acomodar a verdadeira ‘colcha de retalhos’ que é a base de sustentação do governo. O maior representante, o PMDB, ameaça romper sempre que seus interesses são contrariados, ou não são atendidos plenamente.
A ‘vampirização’ do poder distancia os políticos e seus partidos de ‘aluguel’ da população. E o resultado previsível é uma possível explosão de conflitos em todo o país, como em junho de 2013.
Os fatos que ocorrem todos os dias de forma isolada em várias cidades podem adquirir um caráter mais generalizado de repúdio aos políticos brasileiros e ao governo representado pelo PT em nível nacional. Basta lembrar que numa ocasião a presidenta Dilma deixou de ir ao estádio para não sofrer com as vaias do público. Nem o Lula foi poupado.
Por mais exagerado que isso possa parecer, existe um risco iminente de ruptura entre governantes e manifestantes. Isso, às vésperas de uma eleição, não é bom para o governo, nem para o PT.
A sua base parlamentar deveria trabalhar muito mais para dar conta da agenda de demandas feitas pelas ruas nas manifestações de junho. Do contrário, a conta será cobrada em escala nacional. A sociedade já deu sinais de que não vai mais ficar passiva diante dos políticos que capturam o Estado para se locupletar.
Toda mídia mundial estará de olho nos problemas do país, nos direitos humanos, e o governo pode se tornar refém de uma situação complexa. Não que isso seja um desejo ou uma previsão pessimista, mas é uma probabilidade muito grande que o governo e os políticos não estão dando o tratamento adequado que merece.
Esse cenário pode se confirmar mesmo que o Brasil seja campeão no futebol. No caso de derrota, vai ficar mais difícil para o governo explicar os investimentos em vários ‘elefantes brancos’ enquanto a infraestrutura, a segurança e os serviços públicos deixam a desejar.
O resultado desse movimento da sociedade terá repercussão no processo eleitoral. Dizer que as manifestações não afetam o humor dos eleitores é ‘tapar o sol com a peneira’. É muito provável que as grandes realizações e conquistas sociais, que o PT conseguiu no período de mais de dez anos no poder, não sejam suficientes para suplantar o ‘insucesso’ da política. Para tentar neutralizar essa tendência o governo vai precisar de uma boa estratégia de ‘marketing’.
Para o cidadão em 2014, o PT representa o ‘poder’, a ‘elite’, o ‘velho’, o ‘culpado’ pelas mazelas sociais e políticas. As conquistas sociais alcançadas nos últimos anos o povo já se acostumou, e agora quer mais. A população repudia o atraso da política que reflete na ausência de serviços públicos no dia a dia.
Ou seja, o governo encarna o papel de ‘responsável’ pelos problemas do país, e o PT é tido como aquele que não consegue fazer a política avançar para melhorar os serviços públicos e reduzir a violência. Estes dois temas serão destaque de um enredo que tem um final previsível: a insatisfação social.
Talvez, a cultura do ‘poder da caneta’ e os programas sociais como ‘Bolsa Família’, ‘Mais Médicos’, ‘Minha Casa, Minha Vida’ deixem as pessoas resignadas acreditando que o governo é imbatível na próxima disputa eleitoral. No entanto, é preciso fazer uma operação de ‘check and balances’ para avaliar o desempenho do PT nesse sistema. E a previsão mais racional hoje é de saldo negativo para o governo.
Existe ainda a perspectiva de um ‘efeito manada’. Ou seja, com as dificuldades que o governo tende a enfrentar, algum candidato de oposição (provavelmente, o Eduardo Campos) pode começar a despontar nas pesquisas como o legítimo representante de uma alternativa, com possibilidade real de conquista de poder. Sendo assim, a estrutura do PT pode balançar até ruir.
A partir daí, muitos políticos que hoje apoiam o governo podem migrar para outra candidatura. Essa ‘metamorfose’ é comum na política brasileira. A estratégia da oposição será capitalizar essas ‘forças’ para o seu lado em nome de um ‘novo projeto de país’.
Isso não significa o fim do mundo. Ao contrário, o princípio da democracia é a alternância de poder. E essa alternância vai acontecer em algum momento, só não se sabe quando. Mas, é muito provável que seja agora em 2014.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Eleições 2014: Cássio é candidato?

Essa é a pergunta que não quer calar! Quando se fala em eleição para governador da Paraíba todos querem saber se Cássio (PSDB) é candidato. Mas, poucos têm elementos concretos para poder responder. Talvez, hoje, nem mesmo o próprio Cássio saiba se é candidato, se é elegível ou não.
O máximo que se pode fazer, portanto, é especular com argumentos racionais. Afinal, ser ou não ser candidato é uma decisão que passa pela escolha racional do político.
Essa escolha é pautada por alguns elementos essenciais para a configuração de uma perspectiva de poder real, factível, tais como: a elegibilidade, a conjuntura, as pesquisas de opinião, o apoio político e financeiro e a avaliação de cenários possíveis. Como a política é um jogo no qual o político quer sempre ganhar, ele precisa avaliar os riscos, os limites e as potencialidades das suas próximas decisões.
Em princípio, todo ‘animal político’ quer ser candidato. É o grande momento esperado por todos os políticos para ‘faturar’ eleitoralmente.
Mas, para isso, o político tem que ser elegível. Ou seja, ele tem que ser filiado a um partido político e ser ‘ficha limpa’. Cássio, apesar de ter sido eleito senador da República na última eleição, ainda não tem a certeza de que pode ser candidato.
Se o político é elegível, é preciso que ele analise bem a conjuntura que pode ser favorável ou desfavorável, em nível local e / ou nacional. Essa análise qualitativa leva em consideração os fatores que movem o sistema no qual o político está inserido.
No caso de Cássio, o seu grupo político se beneficia de uma aliança em nível estadual com o atual governador. Isso quer dizer que ele também é governo e que dispõe de vários cargos e interesses que estão vinculados.
É bom lembrar que, em 2010, o PSDB e o PSB estavam juntos na campanha para governador, mas tinham candidatos diferentes para presidente. Isso pode se repetir agora. As possibilidades dependem da conjuntura no momento da decisão.
A conjuntura tem a ver com um conjunto de fatores (econômicos, políticos, sociais, jurídicos, históricos e culturais) que estão interligados: de um lado, a aceitação do político diante do eleitorado, dos políticos, do empresariado, e de outro, o desempenho dos seus possíveis concorrentes / adversários. Seja qual for a decisão, ela tem que ser bem recebida pela maioria do eleitorado, e o político tem que ter a capacidade de avaliar o impacto disso.
E para ajudá-lo, além da análise qualitativa, que depende muito do ‘feeling’ e da habilidade do político, é preciso que se faça uma análise quantitativa através do monitoramento de pesquisas de opinião. Essas pesquisas devem ser realizadas pelo menos num período de seis meses para observar a curva de evolução das tendências. Se a aceitação do político tiver indicadores de crescimento diante dos seus possíveis adversários, mesmo em conjunturas diferentes, isso reforça os argumentos diante dos seus apoiadores.
Os dados fornecidos por pesquisas de opinião sistemáticas ajudam o candidato a tomar a sua decisão, mas, também, permitem que os possíveis apoiadores decidam se vão ‘investir’ na candidatura ou não. Afinal, trata-se de uma operação onde os riscos existem, mas podem ser reduzidos. As pesquisas de opinião acompanhadas de análise qualitativa servem de ‘parâmetro’ ou ‘simulam’ o possível cenário pré e pós-eleitoral. 
E é por isso que uma candidatura não pode ser a vontade de uma liderança isolada, ou de um pequeno grupo. Todo político faz parte de um agrupamento e como tal tem que levar em consideração o pensamento daqueles que potencialmente vão ajudá-lo no processo. A articulação de políticos que podem mobilizar uma militância e apoiadores para a disputa é fundamental.
A capacidade de mobilização e o financiamento de campanha estabelecem os limites do candidato. A eleição é o grande momento para ‘vender’ o ‘produto’ que é o político. Este último tem que ter a capacidade de ‘arrecadar’ apoios e mobilizar as pessoas. Ou seja, a escolha racional do político passa pela análise de diferentes variáveis que convergem para um objetivo comum que é a vitória eleitoral, seja como ator principal ou como coadjuvante.
O importante para o político é vencer. Mas uma campanha eleitoral vai muito além disso. Muitos utilizam esse momento especial da política para ‘arrecadar’ apoios, defender seus interesses, divulgar suas ideias e aparecer na mídia para ter mais visibilidade diante do eleitorado e se tornar mais conhecido.
Quem está no poder tem a vantagem de controlar um rol de apoiadores empregados com recursos públicos, além de contar com a ajuda de várias empresas que se beneficiam com obras e serviços prestados ao Estado, e que se colocam à disposição para ‘apoiar’ o governante candidato à reeleição. Portanto, se o governo contrata e paga muitas obras e serviços, não tem dificuldade para ‘arrecadar’ apoio.
Quem está na oposição tem uma dificuldade maior, e precisa contar com uma conjuntura desfavorável ao governo para reunir as forças necessárias. No entanto, sempre existem insatisfações e setores desprestigiados pelo governo, e esse é o foco e o combustível da oposição, o caminho a ser percorrido.
O governante está sempre se comunicando com a sociedade e expondo a sua imagem. O candidato já sai na frente com a publicidade institucional, patrocinando grandes e pequenos meios de comunicação. Para a oposição, as aparições no rádio, TV, jornal e sites têm que passar credibilidade para a opinião pública; tem que ser muito bem utilizada e ter boa repercussão. Não adianta fazer muito barulho sem resultado concreto.
Finalmente, saber se Cássio será ou não candidato é difícil. Pois, além desses fatores elencados, existem outros que fazem parte dos bastidores e somente o próprio político tem condições de avaliar. Ou seja, quais são as perdas e ganhos efetivos de uma eventual candidatura? Qual é a capacidade real de ‘arrecadar’ apoio? Como fica o seu agrupamento político? Como confrontar o presente com a prática do passado e o discurso de um futuro melhor?
Os cenários são muitos, e todos possíveis; depois da aliança do então candidato à governador Ricardo Coutinho (PSB) com Cássio na última eleição, não existem barreiras ou lados intransponíveis na política paraibana. O que impera é o pragmatismo do ‘lucro’ eleitoral.
Na Paraíba, uma coligação encabeçada pelo PSDB com o apoio do PMBD pode colocar em risco o projeto de reeleição do governador atual. Portanto, mesmo que o PSDB apoie o PSB os termos do novo acordo serão reavaliados. Afinal, o político só fala do futuro no discurso para o povo, o que realmente lhe interessa é o presente no poder.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Eleição 2014: a Rede no PSB

A filiação de Marina Silva (Rede) ao PSB do Governador de Pernambuco Eduardo Campos é, sem dúvida, a maior novidade política do ano, com repercussão direta na eleição de 2014. Depois de ser impedida de criar o Partido Rede, Marina tinha duas opções: ou manter a coerência do seu discurso programático e não participar do processo eleitoral, ou se filiar a um partido qualquer, de forma pragmática, e ser candidata na cabeça de chapa. No entanto, na visão de Marina, essas duas opções seriam muito previsíveis e ela decidiu surpreender todo mundo com uma decisão de impacto.
Marina soube fazer uma leitura política e pautou a sua escolha na criação de um fato novo. Até os políticos e analistas mais tarimbados não esperavam por isso. Marina não aceitou ser subjugada, excluída do processo, e partiu para o ataque com um pragmatismo que só os ‘animais’ políticos têm. Ela decidiu dar o troco e assumiu a responsabilidade de alguém que teve mais de vinte milhões de votos na última eleição e que estava até então em segundo lugar nas pesquisas eleitorais.
Se as estruturas do PT já estavam abaladas com a conjuntura política, econômica e social, e a própria governança, a estratégia de tentar isolar Marina Silva foi um tiro no pé. No seu discurso de filiação ao PSB, Marina expressou um misto de fúria e de indignação, sem mudar o seu tom sereno e seguro, e assumiu o papel de vítima de uma trama maquiavélica.
Na sua versão, ela deixou claro que foi atacada e que ficou ferida, mas, não abatida. Como guerreira e combatente que é, com uma trajetória de luta, ela não vai se entregar. Ao contrário, Marina partiu para o ataque e declarou que a Rede é o primeiro partido político clandestino no Brasil do período pós-Constituição de 1988.
Diante do cenário político, Marina identificou na candidatura Campos o potencial de representar o ‘novo’ para a população, com capacidade de encarnar a vontade de mudança da sociedade. Marina chancelou uma candidatura com possibilidade real de ser a alternativa ao PT, no sentido de aprofundar o Estado social, sem mudar de campo político, em sintonia com o desejo da maioria da população que aprova as conquistas sociais da última década.
Nesse sentido, Eduardo Campos, que já tinha se lançado na disputa impondo respeito, agora representa uma perspectiva real de alternância de poder dentro do mesmo campo político. O PT enfrenta o desgaste de dez anos de poder e a população pode perceber que a presidenta Dilma não é, finalmente, tudo aquilo que o Lula dizia.
Dilma não é mais do que o PT. A fama de gestora eficiente e com grande capacidade de tomada de decisões já enfrenta dificuldade para convencer a população que deu um voto de confiança ao Lula. Agora, o discurso de Dilma vai ter que se confrontar com o seu próprio governo, que não corresponde ao que foi prometido na eleição passada pelo próprio Lula. Aliás, o fato de não ter conseguido se livrar da sombra do ex-presidente é mais um aspecto negativo para a presidenta Dilma.
O Lula sempre foi mais do que o PT, ele conseguia contornar a imagem negativa, causada pelos diversos escândalos provocados por petistas, com a sua popularidade. No caso de Dilma, isso não acontece.
Dilma se nivela com o PT e os petistas, além de não ter o carisma de Lula para sublimar os problemas do próprio partido e dos partidos aliados. Outro problema para Dilma é o fato de ter que enfrentar um candidato do Nordeste, com um discurso impregnado de elementos regionais, no território onde a presidenta tem mais força eleitoral com o programa Bolsa Família.
Diante de uma situação econômica que não evolui, o discurso de Campos de que é possível fazer mais talvez soe como um mantra aos ouvidos dos nordestinos. Ainda mais sendo ele um nordestino, como Lula.
O discurso bem articulado do Eduardo Campos também tem a capacidade de alcançar o pragmatismo do eleitorado do sul e sudeste do país, com uma visão gerencial e social do Estado. Campos tem experiência nas duas áreas em Pernambuco e pode contar com a boa aceitação tanto dos trabalhadores quanto dos empresários.
Se a intenção de Marina foi criar um fato político novo, de impacto, o resultado foi alcançado. Agora resta saber como será a sua relação com Eduardo Campos, e que linha política o discurso dos dois vai trilhar.
A Marina pode trabalhar o eleitorado do sul do país com temas de terceira geração, apoiado no desenvolvimento de políticas públicas integradas e sustentáveis. Enquanto isso, Eduardo Campos vai tentar convencer o empresariado e as classes médias de que é possível destravar a economia brasileira e aprofundar os avanços e conquistas do Estado social.
O fato das pessoas não estarem nas ruas todos os dias fazendo passeata com cartazes e palavras de ordem não significa que o fenômeno se exauriu. Ao contrário, o próximo presidente da República vai ter que partir das demandas dos movimentos das ruas de junho de 2013, se quiser ser levado em consideração.
Nesse sentido, o discurso de Eduardo Campos na filiação de Marina é coerente e realista. Ele deu a importância que se deve ao movimento das ruas e demonstrou que sabe que o desafio da mudança está posto pela sociedade. Ou seja, é preciso mudar a política e os políticos.
A era Lula não contribuiu para mudar o sistema patrimonialista, fisiologista e corrupto brasileiro. Muito pelo contrário. O governo Lula não enfrentou a reforma da estrutura política, fiscal e trabalhista. A governança sempre foi baseada no toma-lá-dá-cá em função da agenda eleitoral. Esse aspecto tem sido acentuado pela presidenta Dilma.
O projeto de mudança social e distribuição de renda sempre serviram de justificativa para se adaptar ao sistema ao invés de mudá-lo.  Mas, se o país consegue reconhecer os avanços sociais dos governos petistas, a população também sabe identificar os retrocessos da política.
Afinal, porque não podemos avançar na política como avançamos no social? Ou ainda, será que podemos afirmar que existe avanço social sem avanço político?
Talvez esse seja o mote da campanha eleitoral. Para continuar avançando no plano social é preciso mudar a política. Mas isso tem que ser feito sem cair na vala comum do ‘salvador da pátria’. Será possível mudar o sistema político no Brasil?
A resposta pode ser uma candidatura Campos / Marina. No entanto, ainda é cedo para avaliar. A vantagem dos dois candidatos é a fragilidade do PT / PMDB e aliados na conjuntura política.
Marina pode ter contribuído de forma decisiva para Campos chegar ao segundo turno das eleições de 2014. Mas, ninguém ganha nada de véspera e a tendência é que a campanha seja duríssima. O importante é que se faça o debate político das mudanças que o país quer.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

PT saudações: o fim de um ciclo?

O maior inimigo do PT na Paraíba é o próprio PT, que é pródigo em perder os ‘bondes da história’. Foram muitos ao longo dos anos. A eleição para prefeito em 2012 foi uma exceção. Luciano Cartaxo soube aproveitar uma situação inusitada na qual o PSB tinha um candidato praticamente eleito e decidiu abrir mão dele na reta final.
É evidente que se não fosse o apoio do então prefeito Luciano Agra o PT não teria chegado nem ao segundo turno, e Estela (PSB) seria muito provavelmente a prefeita eleita de João Pessoa. No entanto, Luciano Cartaxo deve calcular que depois de quatro anos de uma gestão exitosa ele poderá consolidar seu nome como candidato legítimo à reeleição.
Mas, a filiação de Luciano Agra ao PEN em junho de 2013 acendeu uma luz amarela nas pretensões do PSB para 2014 e 2016, e pode representar uma luz vermelha para o projeto de reeleição de Cartaxo. Ficou muito claro no discurso do presidente do PEN naquele momento que o projeto do partido é de longo prazo. Luciano Agra pode estar se preparando para ser um dos principais protagonistas dos próximos embates eleitorais. Só resta saber se ele terá fôlego.
Sendo assim, em 2014, é provável que Agra seja a principal novidade eleitoral. Isso porque se alguém procurar um candidato da oposição capaz de incomodar o governador Ricardo Coutinho (PSB) não vai encontrar. O ex-prefeito de João Pessoa está se posicionando para assumir o papel de representante da oposição com capacidade de interferir no jogo político eleitoral; Agra pode atrair para si o apoio de grupos da oposição e se tornar competitivo em 2014 com projeção para a eleição de 2016 na capital.
Até então, a reeleição do governador RC caminhava para o sucesso de forma tranqüila, já que a candidatura do PMDB não parece ter forças para se contrapor ao governador. Ou seja, contra os candidatos do PMDB e do PT, e com o apoio do PSDB de Cássio, DEM, PSD etc., tudo conspira para que o governador RC tenha uma reeleição com boa margem. Essa hipótese não considera, é claro, uma possível candidatura do senador Cássio, que mudaria radicalmente o cenário político eleitoral.
A única novidade até agora é a filiação de Luciano Agra ao PEN. Caso ele entre na disputa como representante das oposições, com todas as suas tendências, o cenário muda significativamente. No entanto, se Cássio for candidato ele será a maior novidade.
Enquanto isso, a provável candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), à presidência da República, colocaria o governador da Paraíba no campo da oposição ao governo federal. E uma possível aliança do PSB com o PSDB no segundo das eleições presidenciais aproximaria ainda mais Cássio e RC na Paraíba.
É preciso levar em consideração que o cenário econômico não é favorável para os governantes e pode ficar ainda pior no próximo ano, mesmo com a copa do mundo. O agravamento da crise pode expor cada vez mais as promessas de campanha não cumpridas.
Ou seja, na Paraíba, o PSB pode estar em dificuldade enquanto o PT está perdendo mais um bonde. Sem um candidato para a disputa estadual, e sem a engenharia política que o elegeu em 2012, a reeleição de Cartaxo fica mais difícil, já que a disputa de 2016 deve ser entre o PSB, o PMDB e o PEN. Cartaxo não terá o arco de alianças que o elegeu, sobretudo não contará mais com o apoio de Agra que deve ser candidato. Se o PT tivesse estendido o tapete vermelho para Luciano Agra como candidato ao governo do Estado não ficaria tão isolado. No entanto, as peças começam a se posicionar no jogo e o PT não tem protagonista.
Em nível nacional, o declínio do PT não será uma novidade em 2014; mesmo que esse seja um cenário remoto nos dias atuais, o processo do mensalão, a economia e as manifestações populares ainda podem fazer muito estrago. O governo da presidenta Dilma enfrenta uma crise que não dá sinais de solução no curto prazo, enquanto busca um fato novo que dê um empurrão no seu projeto de reeleição. Será que ainda tem uma luz no fim do túnel, ou será o fim de um ciclo?

terça-feira, 9 de julho de 2013

A onda de manifestações no Brasil e a eleição de 2014.
O fim do ‘mito do salvador da pátria’?

Todo processo de mudança e de transformação política precisa de um ‘fato novo’ que seja capaz de abalar as estruturas. A recente onda de manifestações que se espalhou por todo o país coloca em xeque os políticos no poder, e as práticas patrimonialistas que eles representam.

Há anos que os políticos, em todas as esferas de poder, estão numa situação de acomodação e de inércia diante das necessidades urgentes da sociedade brasileira. Os seus interesses particulares estão sempre na frente dos interesses da sociedade como um todo. Esse tipo de comportamento criou um fosso enorme entre a realidade do país e os políticos. Estes últimos são, portanto, o leitmotiv das manifestações de rua.

A cultura política da sociedade brasileira tem um histórico de afirmação do ‘mito do salvador da pátria’. Ou seja, o político deveria ser capaz de resolver todos os problemas que a sociedade reclama.

Na história recente temos os exemplos de Collor (caçador de marajás) e de Lula. Este último alimentou e reforçou a ‘cultura do salvador’, pois assumiu para si a autoria da criação do Estado social que retirou milhares de pessoas da miséria e criou uma nova ‘classe média’ de consumidores.

Os dados econômicos e sociais do país nos últimos dez anos, turbinados pela propaganda oficial e sustentados por um amplo programa de assistência social, somado ao boom do consumo de milhões de brasileiros das camadas ‘médias’, ajudaram a promover uma ‘acomodação’ da sociedade, das entidades que representam os trabalhadores e dos próprios governantes. No entanto, a sensação que hoje se expressa nas ruas é de que o ‘sonho acabou’. A sociedade quer mais e tudo indica que ela não vai ficar esperando outro ‘salvador’.

O modelo econômico de desenvolvimento baseado no consumo do mercado interno apoiado no crédito bancário chegou ao limite, ao mesmo tempo em que o sistema capitalista da Europa enfrenta a sua pior crise. O último plano de expansão do consumo que foi recentemente anunciado pelo governo federal é baseado no endividamento da nova ‘classe média’ que teve acesso à moradia através do Programa Minha Casa Minha Vida. Mas, isso é uma espécie de ‘empurrão com a barriga’ até a eleição de 2014; faz parte de um projeto de reeleição, e não de uma política econômica consistente.

A sociedade já está altamente endividada e não consegue mais consumir bens duráveis como antes. Quem comprou uma casa, um carro, uma geladeira, um fogão etc. em sessenta vezes, e ainda está pagando, não vai comprar outro bem durável tão cedo.

A mensagem que passa nas manifestações é de que a população decidiu não mais esperar pelos políticos. A sociedade percebeu que as mudanças só vão acontecer se houver pressão social direta. Ou seja, a sociedade quer pautar a ação dos políticos que estão ‘deitados em berço esplêndido’ enquanto os problemas sociais se acumulam.

O comportamento dos políticos é anacrônico. Apesar das leis de transparência e da informatização dos processos, eles atuam como se a sociedade fosse ‘bestializada’. Os políticos do país são ‘analógicos’, mas a juventude é ‘digital’!

A imagem de trinta mil pessoas na porta do Congresso Nacional foi impressionante. A invasão do símbolo da democracia parecia ser iminente, mas foi contida. No entanto, a mensagem foi bem clara: na próxima vez, ‘vamos invadir’!

Os políticos precisam começar a trabalhar na defesa dos interesses da sociedade se não quiserem provocar um conflito social de proporções imprevisíveis. E tudo indica que eles estão sentindo essa pressão e a agenda do Congresso começa a ser pautada por temas importantes que são tratados com mais celeridade.

No entanto, como os políticos são ‘analógicos’, e ainda fazem seus cálculos na ‘lógica tradicional’, muitos devem acreditar que um ‘cala boca’ imediato de algumas medidas de impacto vai arrefecer o movimento e tudo vai continuar como antes. Mas, essa é uma hipótese muito pouco provável.

A tendência é que o movimento se aperfeiçoe e se intensifique nas redes sociais, pois a sociedade é ‘digital’. Esse movimento pode representar o fim do ‘mito do salvador da pátria’ que se apoiava numa sociedade desinformada e manipulável.

O movimento das ruas pode sinalizar para uma mudança mais profunda na cultura política brasileira do que se poderia imaginar. Vivemos numa sociedade de informação e tudo passa pelas redes sociais que são fortemente ‘freqüentadas’ pela juventude de todas as camadas sociais.

Dessa forma, o ‘salvador da pátria’ não teria muita possibilidade de sucesso na próxima campanha eleitoral. Ou seja, no caso de uma derrocada da candidatura à reeleição da presidenta Dilma, a hipótese do retorno do ‘homem da capa preta’ (Lula) perde força. Ou será que o povo vai acreditar novamente no ‘salvador da pátria’?

O grande beneficiado do processo eleitoral de 2014 será aquele que incorpore o 'novo’. Nesse caso, a única novidade em termos de candidatura seria a do socialista Eduardo Campos (PSB), que poderia se beneficiar com uma eleição ‘caindo no seu colo’.

Tudo indica que a sociedade quer mudanças, mas não vai abrir mão das conquistas sociais, muito pelo contrário, quer ampliá-las. Nessa perspectiva, um governo do campo das oposições (PSDB, DEM) representaria um retrocesso.

O governador de Pernambuco pode ser o grande favorecido, pois está no mesmo campo político do partido no poder, mas não pertence ao PT que pode vir a sofrer uma forte rejeição. O fato de ser do Nordeste, o segundo maior colégio eleitoral do país, também pode ser fundamental para alavancar a sua candidatura, desde que não se apresente como o novo ‘salvador da pátria’.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Eleições 2012 em João Pessoa: agora, de fato, é a vez do PT.

Em abril de 2012 eu escrevi um artigo no blog intitulado ‘Agora é a vez do PT’. A análise de conjuntura feita na época, numa perspectiva histórica, com variáveis quantitativas e qualitativas, já indicava o desfecho da eleição que se confirmou no dia 28 de outubro.
Dentre os elementos de análise que se confirmaram podem ser mencionados: o processo de construção da candidatura de Luciano Cartaxo (PT); o fenômeno ‘anti-RC’ (um movimento de oposição ao governador Ricardo Coutinho, do PSB); o ‘teto’ dos candidatos de oposição Cícero Lucena (PSDB) e José Maranhão (PMDB) na série histórica de pesquisas de opinião; a ‘desistência’ da candidatura de Agra e o processo de escolha da candidatura do PSB; a divisão das forças progressistas do ‘projeto socialista’; a formação da chapa Luciano Cartaxo e Nonato Bandeira (PPS) com o apoio do prefeito Luciano Agra (ex-PSB); a transferência de votos de Luciano Agra para Luciano Cartaxo; a união do PT em torno da candidatura de Cartaxo; e o próprio candidato.
Em João Pessoa e em Campina Grande as candidaturas impostas pelas lideranças políticas de ‘última hora’ foram derrotadas. Em contrapartida, Romero Rodrigues (PSDB) e Luciano Cartaxo já são políticos com larga experiência e souberam aproveitar a conjuntura favorável com ‘padrinhos’ importantes, e formaram chapas com ‘vices’ fortes.
No caso de Campina Grande, a morte de Ronaldo Cunha Lima e a escolha do seu filho para vice alavancou de vez a candidatura de Romero. Este fato foi até mais importante para o sucesso do que o próprio apoio de Cássio (PSDB).
Para o cientista político e ‘marqueteiro’ Antonio Lavareda, no segundo turno das eleições não há vencedor e sim ‘derrotado’. Tanto em Campina Grande como em João Pessoa, as derrotas de Tatiana e de Cícero já eram previsíveis.
Algumas características do processo eleitoral de 2012 em João Pessoa são comuns na Paraíba e em todo o país: os municípios passam por uma conjuntura de crise econômica; o surgimento de novos candidatos; e a fragmentação ou pluralismo partidário. Além disso, o eleitor está cada vez mais pragmático e em busca do novo.
A construção da candidatura de Luciano Cartaxo foi feita com base no sentimento anti-RC. Luciano estreou um novo estilo de oposição mais ‘dura’ contra o governador, e isso atraiu para si os holofotes da mídia interessada pelas ‘intrigas políticas’.
No entanto, o caminho de Luciano não se anunciava promissor. Político com vários mandatos de vereador, ele teve dificuldade de convencer os seus pares do PT que era o melhor nome para disputar a prefeitura. Além disso, as pesquisas indicavam que o seu potencial eleitoral era bastante limitado diante das demais candidaturas.
A estratégia anti-RC também foi utilizada por Cícero Lucena para figurar na cena política de oposição. No entanto, a sua candidatura ficou no mesmo patamar de intenção de votos depois de um ano de campanha, e de ampla exposição nos meios de comunicação da Paraíba. Estava evidente que o seu ‘teto’ estava estabilizado na casa dos 20% do eleitorado, e que o seu discurso de crítica ao governador do Estado também tinha sérios limites. Afinal, a eleição era municipal e o que estaria em jogo era a avaliação do seu governo de oito anos.
Cícero esteve no páreo até o momento em que ele conseguiu manter o debate estadualizado na condição de oposição ao governador. Na hora que ele teve que debater e comparar a gestão da cidade o seu discurso ficou vazio de conteúdo; faltou resultado para apresentar à população.
Quanto ao candidato José Maranhão, ele tinha um discurso vazio de conteúdo desde o início da campanha. A sua estratégia foi criar uma série de factoides com denúncias do tipo Jampa Digital, merenda escolar etc., e defender uma gestão sem corrupção. Mesmo tendo um partido bem estruturado e um eleitorado fiel, depois de três mandatos de governador, o seu ‘teto’ também já estava estabelecido um ano antes do pleito. Os seus limites ficaram expostos em 2010, mas o ‘feudalismo’ partidário permitiu a sua candidatura mais uma vez.
O fato mais marcante da eleição de 2012 em João Pessoa foi, sem dúvida, a desistência de Luciano Agra. É difícil compreender como alguém que liderava todas as pesquisas de intenção de voto, em todos os segmentos e bairros da cidade, pôde abdicar da disputa. Com a prefeitura nas mãos, muito resultado para apresentar, e uma ampla coligação de partidos aliados, Luciano jogou a toalha e rapidamente foi substituído.
Talvez, ele esperasse que os dirigentes, e o próprio governador, pedissem para que ele reconsiderasse e mantivesse a candidatura. Mas, parece que todos estavam só aguardando o momento para indicar a substituta, Estelizabel Bezerra (PSB), ou Estela.
Esse processo de substituição da candidatura do PSB foi traumático e acabou marcando o fim do chamado ‘coletivo girassol’. A cúpula do coletivo ‘rachou’ e implodiu o histórico ‘projeto socialista’. A divisão provocou então uma disputa ‘autofágica’ entre os ‘caciques’ do campo progressista ‘democrático-popular’.
O governador perdeu os seus principais ‘generais’ para enfrentar a batalha eleitoral. Pior do que isso, os ‘dissidentes’ se organizaram para derrotá-lo, e conseguiram.
RC sempre foi um fenômeno eleitoral ao longo da sua trajetória política. No entanto, parece ter esquecido a importância e o papel do seu ‘coletivo’. Ao detoná-lo, o governador perdeu as suas forças. Hoje, ele está cada vez mais refém do PSDB e PSD. A sua candidata teve menos votos do que João Gonçalves (ex-PSDB, atual PEN) em 2008, e menos votos do que Cícero Lucena. Uma derrota acachapante dois anos depois da sua histórica vitória na eleição para governador do Estado.
A chapa formada por Luciano Cartaxo e Nonato Bandeira com o apoio do Prefeito Luciano Agra fulminou as pretensões do governador. Mesmo com a mais poderosa máquina eleitoral RC não conseguiu eleger a sua candidata. A população mandou um recado muito claro para o chefe do executivo estadual: ou muda de postura, ou perde o poder.
O governador ainda conseguiu transferir votos para a sua candidata, mas como eu já afirmava em outro artigo, o potencial maior de transferência é do prefeito bem avaliado. No caso de Agra, a situação foi ainda mais decisiva porque a maioria do eleitorado de João Pessoa (segundo as várias pesquisas de intenção de voto) queria votar nele; o governador RC foi identificado como o responsável por ‘barrar’ a candidatura de Agra, e a população não aceitou.
Finalmente, Luciano Cartaxo se apresentou com uma boa retórica, numa perspectiva dialógica, propositivo e passou segurança para o eleitorado. A sua capacidade de reunir uma coligação de forças uniu o seu partido (historicamente ‘rachado’) e permitiu a união da militância que foi para as ruas com uma perspectiva real de conquista do poder municipal.
O apoio de Agra e o seu compromisso com a manutenção do projeto em andamento na cidade de João Pessoa foi decisivo para a sua vitória. Luciano Cartaxo foi eleito para manter o que está dando certo e avançar mais. A agenda da democracia participativa, com política de geração de emprego e renda, e o acesso aos bens e serviços públicos de qualidade são conquistas que a população de João Pessoa não está disposta a abrir mão.
Mas o seu discurso democrático, dialógico, deve se confirmar na prática. Se houver qualquer distanciamento das suas propostas, o eleitorado já demonstrou nas urnas como resolver o problema.